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Jornada para a tecnologia híbrida

Ainda me lembro dos velhos tempos de Unix, quando esperávamos meses para receber uma atualização. Aplicar e colocar em produção era quase a concepção de um filho: muitas reuniões só para tratar dos riscos envolvidos. Eram muitas pessoas e processos, e cada vez mais obstáculos em prol da segurança e da estabilidade.

E o usuário? Cada vez mais queria ficar longe do CPD, pois aquilo para ele era uma caixa preta que só os ETs e poucos terráqueos conseguiam desvendar. As equipes de informática, então, eram os “semideuses”. A empresa dependia cada vez mais deles.

Enfim, o mundo mudou e a informática passou de mocinho para bandido. Hoje em dia o TI passou a ser um inimigo para vendas e marketing, por exemplo. Virou um pesade- lo para CEOs e CIOs, que buscam soluções para atender as demandas do consumidor na mesma velocidade que elas vêm.

O TI ficou tão pesado como um grande transatlântico: se movimenta, mas sempre na sua velocidade, a de cruzeiro padrão. O nosso consumidor está cada vez mais exigente e até o “velho” PC pode ter os seus dias contados. Os tablets e smartphones são a bola da vez. As crianças já nascem batendo os dedos numa tela para ver o que acontece. Já as empresas, na sua solidez, ainda esperam, pesquisam as novidades, mas dão um passo atrás, ainda em prol da segurança, estabilidade e governança que o mercado exige.

O mundo está na nuvem, mas muitos ainda esperam o próximo voo para embarcar. É uma chuva de siglas e significados que ao primeiro momento não fazem muito sentido. Ir para uma nuvem pública ou privada? Essa era a grande questão. Empresas que aderiram a esse mundo mais moderno partiram logo para um ambiente em nuvem, foram concebidas e criadas ali. É tudo mais fácil e mais rápido. Agora, diga para uma pessoa já na terceira idade que você deve esquecer tudo que viveu, partir nesta aventura para o novo e o imaginário. Quantos vocês acham que entrariam de cabeça? A grande maioria das empresas são assim, precisam estar seguras na sua jornada, pois um passo em falso pode ser fatal.

A verdade é que houve uma grande pressão por parte do mercado, que preferiu em mui- tos casos ser conservador. As organizações de TI não querem e não vão colocar a empre- sa em risco, mas também não devem ignorar os consumidores de serviços de TI. É um grande paradoxo, que precisa ser resolvido. Eis que surge uma salvação: o cliente agora pode fazer um compartilhamento dos seus ambientes, não importa por qual tipo de nuvem ele optou, pois TI tradicional e nuvem podem conviver todos juntos e unidos com um único propósito. A essa nova possibili- dade damos o nome de Hybrid IT. É como acontece com os automóveis mais novos, em que você roda com qualquer tipo de combustível energia e segue o seu trajeto sem problemas.

Muitas empresas optaram por colocar seus sistemas no que podemos apelidar de “ataque” na nuvem. Esses sistemas, por sua vez, são elásticos e podem crescer conforme a demanda. Com isso, as empresas estão ganhando em eficiência. Já os sistemas com crescimento a longo prazo, por questões de rentabilidade, fazem com que as empresas escolham uma nuvem privada ou continuem na TI tradicional.

Em resumo, algumas empresas optaram por experimentar a nuvem pública, outras por acreditarem que era mais seguro e menos traumático partiram para uma nuvem privada, ou seja, preferiram ter o negócio dentro de casa e administrar como faziam desde os primórdios. A diferença é que agora as empresas têm a opção de poder colocar as cargas de trabalho de forma variável, em que o ambiente aumenta e diminui, conforme a necessidade. E, nesse caso, um ecossistema híbrido é o que faz mais sentido.

Vale ressaltar que esse modelo de prestação de serviços, chamado self-service, desafia as antigas práticas de TI, que estavam baseadas num modelo de infraestrutura voltado para as cargas de trabalho. Ou seja, todas essas mudanças são bastante significativas para os profissionais de TI.

Já o Hybrid IT requer profissionais de TI capazes de apoiar os negócios da empresa e que olhem menos a máquina e mais o humano – no caso, o seu cliente. Atualmente, esse modelo é o que traz a capacidade para a empresa de fornecer rapidamente os serviços de TI, com a promessa de menores custos, o que torna a solução mais atraente para qualquer CEO e CIO que esteja ansioso por reduzir qualquer ônus da companhia.

Por outro lado, as organizações têm uma neces- sidade de satisfazer o seu cliente, que está cada vez mais exigente e velozmente consumista. E é aí que entra a opção de colocar parte de suas aplicações num sistema mais flexível, o que passa a ser quase inevitável.

Um outro ponto importante é que as organi- zações de TI perceberam que a concorrência não é somente sobre o modelo público de nuvem, mas também diz respeito a seus clientes internos que buscam melhorias em seus serviços de TI.

Agora ficou mais fácil embarcar nessa jornada? Nem tanto. É preciso confiar no piloto para entrar nesse avião. Aqui, é a confiança e a experiência do piloto para que faça o melhor percurso e leve o cliente até o seu destino, com a menor turbulência possível, que farão com que a aeronave decole e, melhor que isso, esteja cheia.

Mas, você deve estar se perguntando: quem é esse piloto? Ninguém menos que seu par- ceiro de serviço. Portanto, vale a reflexão: as pessoas compram de pessoas, e oferecer um ecossistema híbrido, onde o seu cliente terá ofertas diferenciadas e que tenham mais a ver com sua área de atuação, pode ser a chave para o sucesso.

Porém, o discurso não pode ser o mesmo para todos. É preciso conhecer o cliente para, então, propor algo próximo à sua realidade. É preciso aterrissar, com a prudência, a experiência e a confiança de um piloto de avião. O cliente precisa se sentir seguro de que está optando pela melhor mudança naquele momento e de que tudo isso faz parte de um processo de transformação e de evolução continuas. Algumas dúvidas podem parecer básicas, como por exemplo a necessidade do cliente de ver fisicamente o seu equipamento dentro de um data center, ou até quem você vai chamar ou para quem vai mandar um e-mail se tiver problemas. Podem parecer dúvidas fáceis, mas estas são apenas a ponta do iceberg.

A questão é que as empresas buscam o tipo certeiro, fazer mais com menos. Tudo o que pode trazer algum tipo de economia já é um ganho. Mas todo esse ganho vale a pena? Trazer o cliente para essa discussão e fazê-lo embarcar nessa jornada é uma tarefa que requer olhar como um todo. Não, não devemos ser imediatistas neste momento. Cabe a nós, como provedores de solução, sabermos se o cliente está preparado e, se não, quando estará.

Vamos pensar menos em IOPS (Input/ Output Per Second – indicativo de performance) e mais fora da caixa. Aliás, não vamos pensar na caixa neste momento. Vamos pensar sobre o quanto colocamos a tão falada “curva de amadurecimento” em prática na frente do cliente. A vontade de oferecer uma enxurrada de opções ao cliente é grande. Agora, coloque-se no lugar desse cliente. Imagine-se como cliente, recebendo tantas ofertas tal como uma criança dentro de uma loja de brinquedos. São tantas as opções que você também pegaria a primeira que lhe viesse. O que entendemos com essa comparação é que o cliente precisa de alguém que o aconselhe, sempre olhando para dentro do negócio e depois vendo com o que de melhor pode contribuir.

Mais uma vez parece básico, mas não é. Tudo faz parte de uma experiência. Essa palavra pode soar mal, mas na verdade é bem mais benéfica do que pensamos. Hoje, vivemos e buscamos novas experiências em tudo, desde o momento de compra de um celular, passando pelo uso de um aplicativo, até a nossa maneira de comprar.

Veja que nos últimos anos mudamos nosso comportamento e nos tornamos mais mutantes e ajustáveis às novas tecnologias. Elas estão por todo lado, trazendo mais ca- pacidade, velocidade e mais uma vez com a promessa de um custo menor. Foi assim que as famosas “.com” sugiram no mercado e mudaram de vez o nosso jeito de consumir. E para as empresas, será que é possível acompanhar essa mesma velocidade? Sim, é possível! O que vai decidir é como ela se projeta para o futuro, qual o seu público e como vai atingi-lo.

Mas, mesmo tendo essas respostas, a dúvida que fica é: qual será a cara do meu consumidor daqui alguns anos? Ele vai mudar de perfil, e precisamos acompanhar essa mudança. O grande desafio é saber quando e como.

No fim das contas, sabemos que tudo isso é possível. E simples. Precisamos apenas tocar o coração do cliente e mostrar que ele pode ter uma nova experiência, completamente ader- ente à sua realidade. Seja qual momento for. Foi assim com o Hybrid IT, que veio para criar uma nova simetria na maneira de olhar para os serviços de TI, e isso está forçando uma mudança de paradigmas para segmen- to nos próximos anos. Resta saber se a sua empresa quer entrar nesse voo ou se ela prefere esperar pelo próximo.

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