IT Forum 365

É hora de tirar proveito da Internet das Coisas

Até bem pouco tempo atrás a Internet das Coisas (IoT, da sigla em inglês) não passava de um conceito segundo o qual, no futuro, a internet poderia conectar todas as coisas: equipamentos, celulares, pessoas, eletrodomésticos, carros etc. O futuro chegou muito rápido e hoje o que era conceito já se traduz em uma série de soluções agora colocadas em prática ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

A rapidez deve-se à velocidade com que se encontraram utilizações práticas para o conceito e, também, com que os grandes fornecedores de Tecnologia construíram soluções para isso. Em uma entrevista exclusiva para a revista Innova, John Tsang, diretor de IoT & Workload Business Strategy da HPE para as Américas; Greg Cherry, North America Practice Manager, Data-Driven Enterprise (DDE); e Sanjay Umarji, estrategista de IoT e Big Data da HPE, explicam a interpretação que a companhia deu para o conceito e como isso vem se transformando em soluções.

De acordo com Tsang, o segredo está em olhar para o conceito não como fornecedores, mas sob o ponto de vista de negócios. “Não se trata apenas de hardware, software e serviços. Estamos falando de resultados de negócios”, afirma. O executivo reconhece que não se trata de uma tarefa fácil: são milhares de oportunidades envolvendo appliances e outros objetos ganhando vida, daí a importância de se adotar uma perspectiva de negócio. “Hoje qualquer equipamento produz um volume considerável de dados. Podemos conectar tudo e a HPE pode prover tudo o que é necessário para isso”, diz.

Mais didático, Cherry lembra que esta conexão permite aos usuários monitorar, manter e gerenciar seus equipamentos, processos e negócios. Com isso, é possível tornar melhores os processos de negócios e otimizar resultados. De acordo com os executivos, alguns segmentos vêm se destacando no desenvolvimento de soluções. Na indústria, por exemplo, boa parte destes resultados vêm da possibilidade de se extrair valor dos dados produzidos pelas máquinas conectadas.

Ainda na indústria, Umarji explica que hoje é possível saber o que aconteceu com determinado equipamento três ou seis meses atrás, por exemplo. “Podemos aprender com esse histórico e, na próxima vez em que for detectado um determinado comportamento, haverá valor ali”, explica, lembrando que os exemplos não se aplicam somente à indústria.

Outro segmento que vem ganhando força com a IoT é o de cidades inteligentes, em que há uma série de aplicações ganhando corpo (veja box 1). Um exemplo citado por Umarji é o monitoramento de dispensa de lixo. Com sensores instalados nos coletores de lixo, é possível monitorar exatamente quanto cada um deles recebe e quando estão cheios, antecipando sua troca. A mesma aplicação permite à administração municipal mapear os pontos de maior produção de lixo, otimizando o gerenciamento da coleta e, até, estruturando campanhas educativas mais direcionadas. “Em Oakland, a HPE instalou câmeras pela cidade, que possibilitam identificar em tempo real o uso do lixo”, revela.

O terceiro segmento destacado é o automotivo, com o desenvolvimento dos chamados carros conectados. Aqui, se trata de monitorar e lapidar não apenas os dados produzidos pelos carros em si, mas também pelos motoristas e tudo o que cerca o automóvel. A quantidade de dados geradas aqui é tremenda. Uma das aplicações mais comuns é a de localização, mas já há outras em teste, como as que permitem monitorar o carro antevendo quebras ou mesmo uma colisão. “O fato é que o mercado vai encontrar mais e mais meios de utilizar estes dados e é o que a HPE tem feito em todo mundo”, afirma Umarji.

Por onde começar?

Ao se deparar com esta infinidade de aplicações, a primeira pergunta a rondar os CIOs, e mesmo outros executivos de negócios, é: por onde começar? Os executivos da HPE explicam que as iniciativas de IoT pelo mundo tem sido direcionadas, essencialmente, por três fatores: redução de custos, novos modelos de vendas e engajamento de clientes.

Tsang reconhece que, mesmo assim, fica difícil decidir qual o melhor projeto. “Para ajudar nossos clientes, estamos realizando workshops para ajudá-los a saber que passos tomar”, diz. Os workshops ajudam a HPE a entender as metas e ideais de seus clientes, identificando potenciais oportunidades. Mais que isso, ajudam e compreender onde os clientes estão e para onde querem ir. “Ali fazemos uma espécie de inventário, que nos ajuda a entender seu ambiente e a sugerir como e por onde começar”.

Umarji lembra que a companhia está hoje em uma posição única para isso. Além das soluções próprias, o executivo destaca as parecerias firmadas pela HPE (veja box 2) com integradores, como Accenture e Deloitte, provedores de OEM e até revendas tradicionais, que trabalham com os clientes há muito tempo. “Temos parcerias que muitas empresas não têm, que estão nos trazendo novas funcionalidades em software e serviços e a habilidade de estabelecer relacionamento e entender o que levar aos clientes”, diz, lembrando que o leque vai desde o hardware até recursos de software somados a serviços avançados de consultoria.

De todo modo, a recomendação dos executivos é que a adoção do IoT pelas empresas se dê em fases, respeitando as estruturas já implementadas e planejando sua evolução. A primeira onda prevê a expansão da cobertura de TI, com o uso de produtos e parceiros horizontais. Aqui se inicia o uso de analytics e o desenvolvimento de aplicativos.

Na segunda fase, se deve fazer a sintonia fina dessa estrutura e definir o foco do negócio. É aqui que entra a utilização dos beacons e novas definições de segurança. Na terceira onda, começa a construção de funcionalidades e a expansão do foco. Aqui, entram as soluções multi-indústria, como aplicações de manutenção preditiva e veículos conectados, e soluções específicas, como gerenciamento de frotas e otimização de rotas.

Estas três fases consolidam, na prática, a convergência de soluções e sistemas. Para Tsang, aliás, a discussão sobre IoT trata, na verdade, de transformação. “É tudo sobre a transformação do negócio em si. À medida que evoluímos, tratamos sobre como tudo isso vai convergir”, afirma.

Justamente por se tratar da transformação, Tsang ressalta que a demanda por soluções de IoT hoje não parte exclusivamente da área de TI. “As áreas operacionais demandam. A conversa às vezes começa na área de TI, mas as decisões vão para as áreas de negócio, de estratégia etc.”, revela. O lado positivo é que a conectividade conseguida em uma área, ou negócio, pode ser adaptado para outra, dependendo da estrutura e da maturidade de cada cliente. “Hoje temos diferentes pontos de entrada e diferentes abordagens. Cada cliente é diferente e o ponto de acesso será determinado à medida que avançarmos”, conclui.

FOTOS

“Não se trata apenas de hardware, software e serviços. Estamos falando de resultados de negócios”

John Tsang, diretor de IoT & Workload Business Strategy da HPE para as Américas

“O fato é que o mercado vai encontrar mais e mais meios de utilizar estes dados e é o que a HPE tem feito em todo mundo”

Sanjay Umarji, estrategista de IoT e Big Data da HPE

 

BOX 1

O exemplo do Galeão

O Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) é um dos primeiros exemplos brasileiros de utilização de IoT. Ali, houve um processo de modernização de infraestrutura de rede com soluções de data center HPE e soluções de campus da Aruba. Além disso, o aeroporto lançou um app baseado em beacons e na plataforma Meridian, da Aruba.

O projeto inclui pontos de acesso 802.11 ac Aruba série 200 e o controlador de mobilidade série 7200, switches HPE FlexNetwork série 5130 HI, switches de chassi HPE FlexFabric 7910 e software de gerenciamento de rede HPE/Aruba para substituir a infraestrutura legada e composta por equipamentos de diversos fornecedores.

O aeroporto também está instalando a solução Mobile Engagement da Aruba, incluindo mais de 3 mil beacons Aruba e a plataforma de aplicativo móvel Meridian. Com a plataforma Meridian e o apoio da Accenture Digital – responsável pelo desenvolvimento, projeto e integração – o aeroporto conta agora com o app RIOgaleão, que fornece informações de status dos voos e orientações para os visitantes.

Com isso, o aeroporto carioca tornou-se o primeiro espaço na América Latina a contar com a plataforma baseada em beacons da Aruba. Com o aplicativo móvel, no futuro haverá a possibilidade de desenvolver alertas e informações para os passageiros, como promoções e descontos dos prestadores de serviços. O aeroporto também está estudando formas de usar o aplicativo e a nova rede para agilizar o check-in, a segurança e os processos de embarque dos passageiros.

BOX 2

Parceria com foco em IoT

Quando falam na construção de parcerias para a oferta de soluções de IoT, os executivos da HPE pensam no modelo fechado entre a companhia e a GE Digital. As duas empresas uniram a tecnologia de ponta de IoT da HPE com a expertise industrial da GE e sua plataforma Predix. Juntas, as duas empresas vão permitir análises industriais de ponta para a nuvem.

O Predix é a PaaS (Plataforma como Serviço) baseada em nuvem da GE para a internet industrial e foi desenvolvida exclusivamente para a indústria, garantindo à GE e a seus parceiros uma plataforma projetada para atender aos requisitos únicos de potência, dimensionamento e segurança dos dados industriais.

Pelo acordo, a HPE torna-se a fornecedora de infraestrutura de servidor e armazenamento preferida para tecnologias de nuvem Predix. Para aprimorar a oferta de serviços e acelerar o retorno do investimento, a HPE vai fornecer suporte para o projeto, a implementação e o lançamento da plataforma por meio de suas ofertas de serviço e infraestrutura. A GE também vai aproveitar a tecnologia da HPE em grande parte da sua infraestrutura virtual, assim como em algumas ofertas de OEM.

A HPE vai ajudar a capacitar a plataforma Predix com hardware e software otimizados para IoT, e dará preferência na adoção da Predix da GE como solução de uso industrial. Além disso, a HPE planeja certificar 100 desenvolvedores em Predix em todo o mundo. As duas empresas vão estabelecer parcerias no longo prazo para apoiar os setores aeroespacial, de gás e petróleo, de manufatura, automotivo e de energia.

O mercado de tecnologias de IoT industrial está crescendo rapidamente. A IC Insights prevê que as implementações de IoT industrial alcançarão a marca de US$ 12,4 bilhões em 2015, praticamente o dobro do registrado em 2012, US$ 6,4 bilhões. A parceria estratégica favorece o compromisso de acelerar tomadas de decisão em tempo real e aprendizado automático para seus clientes.

Comentários

Notícias Relacionadas

IT Mídia S.A.

Copyright 2017 IT Mídia S.A. Todos os direitos reservados.