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O que esperar da HPE na era da Economia das Ideias

Manoj Suvarna, diretor da área de Sistemas Convergentes na região Américas, e Geoff Tudor, CTO para Hybrid IT e Cloud na região Américas, são dois dos executivos da HPE mais atuantes da companhia quando se fala na era da Economia das Ideias e, mais que isso, quando se fala dos impactos que ela trará aos negócios e, por consequência, às áreas de TI.

Hoje, Manoj lidera as tecnologias de sistemas convergentes incluindo virtualização, cloud, hyper converged e soluções de big data. O executivo possui 19 anos de experiência na indústria de tecnologia com engajamentos executivos regionais e mundiais de diferentes segmentos e verticais. Veja abaixo sua entrevista:

 

Revista Innova – O que é a Economia das Ideias (Idea Economy) e que impacto ela terá nos negócios nos próximos anos?
Manoj Suvarna – A Economia das Ideias trata da disruptura de indústrias que vinham trabalhando tradicionalmente. Tudo conduzido pela economia dos aplicativos, mudando rapidamente a expectativa do cliente, que hoje quer mais velocidade e mais satisfação. Por conta disso, não dá mais para levar de três a cinco meses para colocar uma nova ideia, um novo produto no mercado. O desafio é migrar para a nuvem pública, pular os processos tradicionais de compra, planejamento, etc. Quando se escala um serviço, é preciso ter garantias de segurança, estabilidade.

 

RI – O que a HPE está fazendo para atender às demandas desta nova economia? 
MS – Neste novo cenário os usuários tentarão realizar seus projetos sem a TI. Por isso as empresas precisam levar tecnologia para acelerar os resultados de negócios, identificando oportunidades onde é possível ser mais ágil e o responsável por suportar os novos ambientes. É preciso se posicionar. Isso é chave para a TI. Além disso, é preciso entender o que se precisa e para quê. A HPE pode ajudar a acelerar esse processo. Uma empresa não precisa gastar seis meses para design, planejamento, compra e implementação. Ela pode utilizar esse tempo para entender quais aplicações podem ser adotadas, testá-las e assegurar que consigam escala e sejam seguras.

 

RI – O que isso traz de diferente para o comportamento das pessoas? 
MS – As pessoas esperam que toda a informação esteja em seus aparelhos móveis. Elas querem ver o e-mail e ter a mesma experiência no escritório, otimizando processos. O mesmo vale para o lado corporativo. O usuário quer começar algo em casa e acabar no escritório, e a empresa precisa garantir a experiência de omnichannel, porque seus usuários querem informação nas pontas dos dedos na hora desejada, da forma desejada. Por isso, daqui para frente, tudo será feito em aplicativos hospedados na nuvem, o que vai obrigar as empresas a encontrarem novos meios de fazer negócios.

 

RI – Por isso é importante para as empresas contarem com sistemas mais simples?
MS – Sim. Elas precisam acelerar a entrada de novos serviços e produtos no mercado.

 

RI – Com essas mudanças, como será a infraestrutura do futuro? 
MS – O futuro será um modelo definido por software. Não teremos mais 100% dos sistemas
implementados dentro das empresas, que mudarão seu modelo de compra para volume de terabytes e capacidade de processamento. Para isso, elas terão um ambiente que poderá ser gerenciado e provisionado em tempo real, esteja ele em uma nuvem privada, pública ou híbrida. Por isso as empresas precisarão ter um console de gestão de recursos, que será fundamental para atender as demandas dos negócios. Por outro lado, essas empresas precisarão ter capacidade de identificar demandas e a TI precisará saber como tornar sua infraestrutura eficiente sem necessariamente pensar em criar mais data centers ou implementar mais servidores. O ponto é saber como escalar e manter no ar. Precisarão entender o mix correto para garantir a escalabilidade.

 

RI – É aqui que entra o que vocês estão chamando de Composable IT? 
MS – Exatamente. A HPE está desenvolvendo soluções sobre uma nova arquitetura, que chamamos de Composable Infrastructure, que consiste em três principais princípios de design. O primeiro é o uso de pools de recursos fluidos, em que a computação, o armazenamento e a estrutura de rede podem ser compostos e recompostos para a necessidade exata do aplicativo; ela também inicializa cargas de trabalho prontas para implantação e suporta todas as cargas de trabalho — físicas, virtuais e em contêiner.
O segundo princípio é a inteligência definida por software, que faz a própria detecção e montagem da infraestrutura de que você precisa e realiza atualizações sem atrito que podem ser repetidas. Por fim, o uso de uma API unificada, que significa uma única linha de código para abstrair cada elemento da infraestrutura, com 100% de capacidade de programação da infraestrutura e interface sem sistema operacional para infraestrutura como serviço.

 

RI – A HPE já tem algum produto no mercado baseado em Composable IT? 
MS – Sim. HPE Synergy foi a primeira plataforma projetada para oferecer agilidade, gerenciamento de custos e segurança para organizações que buscam os benefícios da execução de uma infraestrutura híbrida. Esta plataforma reúne fisicamente computação, armazenamento e estrutura de rede e, por meio de uma única interface equipada com HPE OneView, compõe recursos físicos e virtuais em qualquer configuração para qualquer aplicativo. Como uma plataforma extensível, capacita facilmente uma variedade ampla de aplicativos e é ideal para clientes que buscam implantar um ambiente de nuvem híbrida escalável e capacitar desenvolvimento e operações contínuos.
Hoje a HPE tem a nuvem, a aplicação e o serviço, o portfólio completo. Já temos uma combinação de plataformas integradas e soluções de ponta a ponta, que vão desde a infraestrutura até o mecanismo de gestão e serviços de suporte. Também contamos com uma camada de software que consegue olhar a infraestrutura no detalhe do componente de tecnologia. Isso permite saber exatamente a escalabilidade, permitindo não se criar mais máquinas virtuais, mas capacidade virtual.

 

Revista Innova – Quais são os grandes motores por trás das mudanças que vemos hoje na economia? Que impacto eles trazem ao modo como fazemos negócios?
Geoff Tudor – A maior mudança por trás da disrupção e da inovação é a forma como consumidores estão consumindo. Há dez anos, o principal método de uma empresa fazer negócios era a loja física. Você ligava para o táxi, ia à loja, ia ao banco ou, no máximo, fazia alguma operação online. Com o crescimento no uso de smartphones registrado nos últimos seis a sete anos, somos agora orientados primeiramente por dispositivos móveis. Fazemos tudo por apps e smart devices que permitem que tenhamos serviços entregues imediatamente, e isso muda as expectativas dos clientes.


RI – O senhor defende que o tempo entre o surgimento de uma ideia e a construção de um negócio é cada vez mais curto. Como as empresas estão convivendo com isso?
 
GT – Há vinte ou trinta anos a computação em nuvem não existia, e as empresas precisavam criar suas próprias infraestruturas, pensando em segurança e como entregar, e para isso tinham procedimentos muito estritos e complexos. Hoje é possível criar tudo com o clique de um botão, contratando a Amazon, por exemplo.

Por outro lado, os CIOs hoje têm despesas que não conseguem controlar, aplicativos que não sabem que estão sendo utilizados etc. Por isso a necessidade de uma TI híbrida, à qual as empresas precisam se ajustar e esse é o ponto de dificuldade: as empresas precisam adotar os benefícios da nuvem sem os longos prazos da TI tradicional. E por isso a HPE vem investindo em criar e entregar sistemas híbridos, para dar soluções aos gestores e aos desenvolvedores. Em um futuro próximo, o CIO terá um ponto de controle único, uma camada de gestão onde ele conseguirá dar acesso a tecnologias tanto na nuvem como em seus sistemas próprios.

 

RI – De que forma as empresas estão se adaptando a essa nova era? 
GT – As empresas estão tentando fazer mais com menos: mais produtividade com menos investimento, mais receita com menos pessoas. E inovar com novas aplicações e novos meios de gerar receita mais rapidamente. A única forma de realmente conseguir isso, segundo as empresas, é de fato se mover para o modelo de DevOps, solucionando a dificuldade de fazer com que códigos, novos sites, aplicativos e serviços sejam facilmente migrados e rodem rapidamente em máquinas virtuais. Não se trata apenas de instalar máquinas virtuais, mas de colocar códigos ali. As empresas sabem que precisam e estão estudando como fazer isso. Além disso, elas têm a infraestrutura virtualizada,fizeram nuvem e construíram uma infraestrutura virtual. Com isso economizaram dinheiro, mas agora percebem que não é suficiente. É hora de passar para a camada de automação e dar às operações de TI e aos desenvolvedores novas capacidades dentro desse ambiente virtualizado. Por isso o mercado está procurando fornecedores para propor soluções nessa jornada. Todos já têm uma primeira geração de cloud e estão tentando ir para a segunda.

 

RI – Como está essa mudança na América Latina? 
GT – No Brasil e na América Latina a economia é mais desafiadora. Por isso as empresas precisam de um melhor retorno – e mais rápido – para os investimentos. Estamos posicionados para ajudar nesse sentido. Conseguimos oferecer a plataforma de ponta a ponta, da infraestrutura ao sistema de gerenciamento e implementação de estratégia do framework DevOps. Precisamos ajudar as empresas a fazerem a mudança cultural e organizacional para suportar essa jornada.

 

RI – É possível pensar em mudança mantendo os investimentos feitos ao longo das últimas décadas? GT – Sim. A proposta não é mudar tudo e reescrever tudo. As empresas podem manter ambientes distintos. O que precisam é ter um ponto central de gestão para garantir eficiência e oferecer uma visão única de todos os aplicativos, independentemente de onde estejam.
É preciso ter claro que sempre haverá uma porção que precisará ser mantida na TI tradicional. Nas empresas maiores, principalmente. Nas médias e menores, haverá uma recondução para que os novos aplicativos e sistemas sejam escritos com base em tecnologia open source e para a nuvem. A HPE não faz uma abordagem que sugira migrar tudo. O custo não pode ser maior do que o benefício. Ao mesmo tempo, haverá ainda um tempo para a transformação dos ambientes para ambientes focados em aplicações.

 

RI – O senhor teve contato com clientes brasileiros? Como o senhor avalia o grau de maturidade deles em relação às mudanças que virão pela frente?
GT – Sim. A Brasilcap é uma empresa que pode ser mencionada. Foram os primeiros clientes da HPE no mundo a adotar nossa solução de Cloud System para rodar o sistema SAP deles. Hoje eles estão rodando o SAP sobre a solução de nuvem HPE. A companhia está utilizando a solução há alguns anos, já se familiarizaram e naturalmente estão migrando o ambiente para este modelo.
O fato é que o setor financeiro deve ser o primeiro a migrar nesse sentido, garantindo aos usuários melhores experiências móveis. Isso porque eles precisam correr para brigar com as novas empresas de internet que surgem rapidamente como concorrentes.

 

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