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Bem-vindo à Economia das Ideias

O mundo vive hoje o início do que os especialistas estão chamando de a era da Economia das Ideias. Para explicar melhor o conceito, e seus impactos no modo como as empresas fazem negócios hoje, a Hewlett Packard Enterprise realizou o HPE Hybrid IT Summit, evento que reuniu profissionais de TI e de negócios de diversos segmentos do mercado. A apresentação do conceito ficou a cargo de dois dos mais influentes executivos da HPE atualmente: Manoj Suvarna, diretor da área de Sistemas Convergentes na região Américas; e Geo Tudor, CTO (Chief Technical O icer) para Hybrid IT e Cloud na região Américas. Juntos, os dois mostraram como os modelos de negócio estão mudando e como estão se tornando cada vez mais dependentes da tecnologia da informação. Começando pela era da Economia das Ideias, Manoj Suvarna explicou que sua principal marca são as empresas baseadas em ideias, não em ativos. Pode parecer futurista demais, mas ele citou o exemplo de companhias como o Uber (transporte), o Airbnb (hotelaria), a Amazon (vendas) e a Apple Pay (finanças).

“O Uber não tem carros e o Airbnb não tem hotéis”, disse. “O que sustenta essas empresas, criadas a partir de ideias, são aplicativos que conectam pessoas às suas demandas”.

E essa conexão tende a se tornar cada vez mais presente. De acordo com Suvarna, até 2020 o mundo terá algo em torno de 100 bilhões de dispositivos conectados cerca de 1 trilhão de aplicativos. É justamente a correlação entre o volume de dispositivos e de aplicativos que está direcionando a economia e, também, mudando hábitos de consumo. Contar com o aplicativo na palma da mão onde e quando quiser está criando novas gerações de consumidores mais e mais exigentes.

“A interação deve ser rápida. Quantos de nós hoje se dispõe a esperar por quatro ou cinco minutos pela resposta de um aplicativo? ”, desafia. Por isso, na era da Economia das Ideias, a tecnologia da informação deixa definitivamente de lado o papel de coadjuvante para se tornar um importante parceiro das áreas de negócios para a criação de valor. A elevação de status traz desafios, claro.

O fato é que, na era da Economia das Ideias, a área de TI tem um papel estratégico para o negócio das empresas. Além de oferecer um ambiente estável e confiável nos moldes da TI tradicional, ela está sendo desafiada a entregar serviços com agilidade e flexibilidade para atender ao novo estilo de negócios, hoje baseado em uma plataforma que integre tecnologias como nuvem, mobilidade, big data e mídia social, caracterizando a TI bimodal.

O executivo cita alguns números que comprovam sua tese. Com o uso das infraestruturas tradicionais, o desenvolvimento da estrutura necessária para um novo aplicativo leva, em média, de cinco a seis meses – dados da IDC. Já o Gartner aponta que adicionar 25% mais funcionalidades a um aplicativo vai representar um crescimento de 100% em seu gerenciamento e manutenção.

E a equação aqui é clara: quanto mais complexa for a infraestrutura, menor será a velocidade em que o aplicativo será disponibilizado e maiores serão os custos de manutenção e gerenciamento. Logo, a infraestrutura tradicional não serve para a nova Economia das Ideias. Por outro lado, manter dois modelos distintos de infraestrutura – uma para o legado, outra para os novos aplicativos – não é sustentável. “É preciso conectar o modelo tradicional com o modelo em nuvem, construindo o caminho para o novo modelo de negócios”, acredita Suvarna.

O poder do usuário
Antonio Mariano, diretor de arquitetura de soluções da HPE Brasil concorda. Ele afirma que o mercado vive uma confluência de ondas de inovação: big data, mobilidade, internet das coisas, analytics etc. E que isso tem cercado a vida das pessoas de forma marcante. “Não lembramos mais da última vez em que usamos um guia de rua impresso. É isso que as pessoas estão vivendo no dia a dia”, diz.

Acostumados com essas facilidades, os usuários começam a exigir das empresas o mesmo nível de usabilidade e comodidade. É este novo nível de exigência que tem levado ao um novo estilo de negócios. Para isso, as empresas, não importa o segmento, precisam se tornar digitais. “É isso que vem dirigindo a Economia das Ideias, essa nova tendência econômica que traz a possibilidade de criar modelos disruptivos ou novos canais que ampliem a experiência do consumidor”, explica. Para Mariano, este é o pano de fundo para as mudanças que as empresas precisam fazer em suas áreas de TI, e essas mudanças são necessárias para o que o mercado possa fazer uso de novas tecnologias e, mais que isso, para suportar esse novo modelo de negócios. É aqui que, segundo Mariano, entra o que o Gartner chama de TI bimodal, que combina o modelo tradicional e o novo, mais ágil, com foco na entrega e na agilidade do negócio.

Suvarna afirma que parte do processo que vai conectar estes dois mundos prevê a criação de sistemas convergentes, que entregam serviços e aplicações mais rapidamente. É bom lembrar que não se trata apenas da infraestrutura, mas de toda a cadeia de valor. “A estrada para uma TI híbrida começa com a convergência e virtualização, passa pela automação e orquestração e chega à transformação do aplicativo e da área de TI em um broker e service delivery”, defende Suvarna.

Não por acaso, ele ressalta que o portfólio de produtos e serviços da HPE está pronto para essa nova era. “O que temos aqui hoje é resultado de uma jornada que iniciamos há seis anos, quando dissemos que estávamos caminhando para uma infraestrutura convergente”, diz.

Mas como construir esta ponte? Geo Tudor lembra que todos os caminhos levam à nuvem, mas ele destaca que, no futuro, não haverá nuvens públicas ou privadas, mas ambientes híbridos. “São esses ambientes que precisamos aprender a desenvolver e gerenciar”, afirma. “E precisamos fazer isso rapidamente, porque o tempo entre o surgimento de uma ideia e a construção de um novo negócio está se tornando cada vez mais curto”.

Tudor lembra que as empresas entenderam que vão morrer sem inovação, e que ela hoje está nas mãos dos desenvolvedores, que colocam cada vez mais pressão sobre a TI para fornecer a estrutura na velocidade necessária. A TI também sofre impactos pelo crescimento da “shadow IT”, hoje caracterizada por pequenos projetos realizados dentro das empresas sem que as áreas de tecnologia tenham conhecimento. “O colaborador cria, coloca em operação e depois vai mostrar os resultados para seu chefe. Eles usam nuvens públicas e não sabem onde seus aplicativos estão hospedados. As companhias precisam gerenciar isso de forma unificada”, diz.

O melhor caminho para isso é a busca de um ambiente híbrido. E a HPE, de acordo com Tudor, já estabeleceu alguns padrões para isso. O primeiro deles é que a estrutura necessária para dar velocidade à nova economia é composta de cinco componentes:
1 – Computação distribuída, com sistemas e contêineres distribuídos em nuvens públicas e privadas, permitindo o uso de recursos de acordo com a demanda;
2 – Dados distribuídos, permitindo que eventuais falhas em um determinado local não afetem a operação;
3 – Multi cloud brokerage, com gerenciamento e governança de diversas nuvens, permitindo que a empresa escolha o melhor local, com o menor custo, para o atendimento de suas necessidades;
4 – Entrega contínua;
5 – Analytics e visualização, permitindo análises preditivas em tempo real.

Tudor lembra que a HPE defende que a infraestrutura híbrida será o catalisador da transformação da TI, atendendo ao desejo das corporações de ampliar eficiência e reduzir custos. Mas ele ressalta que esta transformação não acontecerá em um big bang. Ao contrário, será uma jornada que inclui a TI tradicional e o uso de nuvens publicas e privadas.

“Há milhões e milhões de dólares envolvidos na TI tradicional. A jornada começa com a virtualização e consolidação de servidores. Depois vem a automação, que traz governança e segurança para a nuvem privada. Depois o gerenciamento e, finalmente, o uso de nuvens públicas”, defende.

Mais agilidade e menos complexidade
O diretor da divisão de Servidores da HPE Brasil, Marcos Gaspar, ressalta que, quando se fala em TI híbrida, é preciso contextualizar o conceito sob a perspectiva do que as empresas vão demandar de fato. “Basicamente ela toca muito a área de infraestrutura, com o objetivo de acelerar o processo de entrega de aplicações e serviços, só que de forma mais flexível, do jeito que as organizações querem consumir”, explica.

Essa estrutura deve permitir que as empresas contem com a TI de forma mais simples, ao menor custo, com o melhor modelo de utilização e com o melhor “time-to-market”, que aqui é fundamental. Gaspar lembra que o mercado brasileiro já acordou para esse novo cenário, e começa a buscar soluções.

“No Brasil, normalmente conversamos com as empresas e checamos o estágio de maturidade e de utilização dos clientes, construindo o que chamamos de jornada”, afirma. Por jornada, deve-se entender e definir em que ponto a empresa está, para onde quer ir e qual o caminho para atingir esse novo status. “Aqui a HPE instrumentaliza, apoia e organiza o processo”, diz, lembrando que a companhia conta não apenas com os produtos, mas também com os serviços e o apoio necessário para que o cliente possa fazer essa transformação e, depois, desenvolver a capacidade de orquestrar todos esses recursos.

O estágio final é a adoção de um ambiente híbrido de cloud, com ambientes internos e externos consumidos de forma única e conseguindo provisionar recursos de forma simples. “O que vemos hoje nas empresas é que a virtualização está na estrutura da maioria delas, e muitas estão buscando consumo de soluções de forma não tradicional” , afirma. Por conta disso, não é incomum encontrar empresas brasileiras que têm modelos de consumo diferenciados e que agora estão identificando mais claramente como construir, consumir e orquestrar essas coisas mais claramente. “O desafio é construir o balanço entre custo e velocidade adequados. Cada empresa terá seu tempo certo para chegar a isso”, conclui.

Passo a passo
Mas afinal de contas, quais são os requisitos para a transformação? O primeiro deles é definir qual o mix ideal para cada negócio, e ele pode variar de acordo com os características do negócio, como área de atuação e localização da companhia. Aqui, é preciso definir o quanto usar de nuvens públicas e privadas. “No setor financeiro, por exemplo, imaginamos 71% de nuvens privadas e 29% de nuvens públicas. Em biotecnologia, 19% públicas e 81% em nuvens privadas e, em energia, 42% pública e 58% privada”, exemplifica Tudor.

O mix é diferente para os mais diferentes setores e sua definição vai além da área de TI. Para Tudor, definir a jornada significa definir uma série de mudanças, não apenas em TI, mas também nas áreas de negócios, que precisam passar a contar com governança financeira, estruturar seus recursos corporativos e contar com uma cadeia de valor.

Para isso, a HPE conta hoje com um portfólio de serviços profissionais, desenvolvidos para ajudar as empresas a definir, fortalecer e otimizar o mix correto. “Por meio desses serviços, nós avaliamos todos os aplicativos da companhia, definindo quais podem ser movidos para nuvens públicas, privadas ou ainda permanecer onpremise”, explica Tudor.

A avaliação traz definições importantes. Muitas vezes o aplicativo que está na nuvem pública pode ser melhor gerenciado se estiver em uma nuvem privada, por exemplo. Uma vez definido o mix ideal, o passo seguinte é garantir a visibilidade e o controle dessa infraestrutura. “Tudo isso traz a transformação para um novo estilo de negócios”, completa, citando empresas que já iniciaram a jornada.

Na 20th Century Fox, por exemplo, com o mix de 10% em nuvens públicas e 90% em nuvem privada, os data centers da companhia foram reduzidos em 70% e o provisionamento de processamento e armazenamento para novos projetos caiu de cinco semanas para quinze minutos. “Isso gerou milhões de dólares em redução de custos”, revela.

A Caterpillar, com o apoio da Accenture, montou um mix com 20% de nuvens públicas e 80% de nuvem privada. Hoje ela conta com processos de negócio predefinidos suportando vendas. Mais que isso, eliminou ineficiências em sua cadeia de suprimento e acabou com atrasos no desenvolvimento de infraestrutura.

Para Tudor, as empresas precisam de agilidade para atender a atual dinâmica de negócios e inovar, transformando rapidamente ideias em realidade. “Muitos projetos morrem porque as pessoas não querem mudar. É preciso mudar para suportar novos modelos de negócio”, conclui.

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