IT Forum 365
cloud computing

“Cloud não é mais opção, é necessidade”, diz Marcos Gaspar, da HPE

Benefício anual por aplicativo baseado em nuvem chega a US$ 3 milhões em receitas adicionais e US$ 1 milhão em redução de custos, segundo pesquisa

Apesar de 68% das companhias usarem cloud computing para dar mais agilidade ao negócio, apenas 3% delas contam com estratégias de cloud otimizadas, ou seja, capazes de gerar resultados efetivos. É o que aponta estudo da IDC feito com mais de seis mil organizações. Segundo a pesquisa, os aumentos são decorrentes, em grande parte, do resultado de vendas de novos produtos e serviços, por meio do rápido ganho de clientes ou da expansão para outros mercados.

“Não se discute mais se a empresa vai para cloud ou não e, sim, como vai fazer isso, com que tipo de arquitetura e infraestrutura”, diz Marcos Gaspar, diretor da unidade de negócios de Datacenter e Hybrid Cloud da Hewlett Packard Enterprise (HPE). Em entrevista a seguir, o executivo explica como montar uma estratégia eficaz e as principais dificuldades das empresas nesse processo.

Cloud computing já é uma realidade na maioria das companhias e só tende a crescer, de acordo com perspectivas da IDC: até 2020, 94% dos negócios terão soluções na nuvem. A que se deve isso?

Marcos Gaspar: Há dois impulsionadores nesse cenário: o primeiro é que, hoje, as novas aplicações já nascem em cloud e não há outra alternativa. O segundo é a necessidade de fazer negócios – transações, processos operacionais, novos serviços ou produtos – de maneira rápida e produtiva. As empresas precisam de uma infraestrutura de TI que se movimente rapidamente para atender as demandas e manter a competitividade. As áreas de negócios, por exemplo, precisam diminuir o tempo entre ter uma ideia e colocá-la na rua. A cloud permite isso, dá mais rapidez – e segurança – ao negócio. Não se discute mais se a empresa vai para cloud ou não e, sim, como vai fazer isso: que tipo de infraestrutura e de arquitetura deve usar.

Quais os primeiros passos para uma adoção eficaz?

Três pontos são importantes nesse processo: aconselhamento, entrega e migração. Assim, o primeiro passo é analisar o cenário: como é a infraestrutura atual, que ferramentas são necessárias para a migração, quais são as aplicações elegíveis para a migração, em quanto tempo a empresa precisa que essas aplicações estejam na cloud, requisitos de segurança e compliance; e se há profissionais adequados para cuidar dessa transformação. Com essas questões respondidas, parte-se para a entrega em fases e migração das respectivas aplicações.

Nesse processo, quais são as principais dificuldades?

Entre as principais dificuldades para alcançar maior maturidade na adoção da cloud estão a deficiência de capacidades, falta de uma estratégia bem definida e um legado de estruturas organizacionais em silos, que pode gerar camadas redundantes entre as áreas de tecnologia da informação e negócios. Sabe-se que quanto mais silos, mais complexa a operação e mais pessoas serão necessárias para gerenciá-la e mantê-la.

Qual a melhor estratégia de cloud computing, então?

O mais recomendado é apostar em um ambiente de TI híbrido, que utiliza múltiplas nuvens públicas e privadas baseadas em economia, localização e políticas de governança. Nesse sentido, precisa-se definir quais aplicações serão migradas do ambiente de TI Tradicional para um ambiente de cloud privada e quais irão ou já nascerão em uma cloud pública. Muitas empresas terão vantagem ao adotar uma cloud pública, enquanto outras vão ter que construir essa mesma funcionalidade dentro de casa, em uma cloud privada. É o que chamamos de mundo híbrido: tomar vantagem dessa tecnologia da melhor forma para o negócio. E essa decisão não é estática, pode mudar a qualquer momento. Por exemplo, imagine que estou rodando uma aplicação em uma cloud privada e ela está com uma taxa de crescimento de 5%, mas houve a aquisição de uma nova empresa e a taxa de crescimento vai passar a 70%, se a arquitetura estiver bem planejada e integrada, pode-se usar uma cloud pública para atender essa demanda exponencial de crescimento. Para o cenário contrário também isso é possível.

Não há uma fórmula pronta, então?

É importante entender que o que funciona em um negócio não necessariamente vai responder as demandas de outra empresa. Para isso, a companhia deve fazer uma análise sobre os tipos de informações geradas e de aplicações. É preciso olhar caso a caso. Recomenda-se, por exemplo, em empresas de manufatura, que 77% da carga esteja em cloud privada e 23% em pública. Já no setor de telecomunicações a recomendação é 67% em privada e 33% em pública. Mas, não há uma fórmula pronta. Assim, é fundamental estruturar uma arquitetura levando em conta que as aplicações que estão naturalmente em cloud vão conviver com outras que não estão. Por exemplo, como o e-mail vai ser integrado com as outras aplicações? ele precisa estar integrado com outros sistemas ou pode ficar isolado? A ideia, aqui, é fazer um mapeamento de toda a arquitetura, pensando em aspectos como requerimentos de compliance e segurança, e como será a integração de cloud pública, privada e a TI Tradicional.

A alteração para o mundo híbrido envolve, também, uma mudança de cultura?

A conscientização dos usuários é mandatória. Há negócios que são praticamente baseados em tecnologias e os profissionais precisam estar envolvidos e atentos a todas as tendências. Mas a área de TI está aí para isso, deve ser a grande orquestradora de soluções, como um service delivery para a área de negócios e todos os funcionários.

Qual o futuro da TI na cloud? Todos os negócios poderão rodar em cloud?

Não há outro caminho – todos os negócios estarão em cloud (privada e/ou pública) num futuro próximo. O que vai acontecer é que não será mais uma perspectiva da tecnologia e, sim, dos negócios. Os motores que vão suportar a cloud estão muito mais adequados para o mercado. Quando falamos em soluções para atender a uma cloud privada, por exemplo, a infraestrutura está preparada – tanto sob o ponto de vista de capacidade computacional, armazenamento e rede, quanto da inteligência para provisionamento, automação e orquestração de recursos e serviços.


Saiba mais:
Por que precisamos falar sobre TI híbrida?
Dados blindados: 6 pilares de uma estratégia eficaz de segurança da informação
Centro de Operações de Segurança permite identificação de 90% das causas de incidentes

Imagem: Depositphotos

Comentários

Notícias Relacionadas

IT Mídia S.A.

Copyright 2017 IT Mídia S.A. Todos os direitos reservados.