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Blockchain

Blockchain além do Bitcoin

Segundo especialistas, próximo uso da tecnologia será o gerenciamento de identidade; para adotá-la a empresa deve identificar de que forma pode se beneficiar com a estratégia

Por Curt Hopkins*

Engana-se quem pensa que a primeira ação de blockchain foi o Bitcoin. De fato, ele foi o uso mais alto da tecnologia – uma plataforma transparente e imutável – mas está longe de ser o primeiro. “Blockchain é uma estrutura de dados e não precisa estar vinculado a uma moeda volátil”, diz Stuart Haber, cofundador da Surety, primeira empresa a configurar blockchain, em 1995. Embora a confusão entre as duas tecnologias ainda exista, alguns especialistas acreditam que é apenas uma questão de tempo para que o ecossistema de blockchain se desenvolva além do Bitcoin. Mas, se você está considerando adotar um projeto nessa área, é importante entender como a moeda influenciou o blockchain, como ele estará nos próximos anos e quais serão os usos a médio e longo prazos.

Relação com Bitcoin 

Andreas Antonopoulos, um dos primeiros defensores da moeda e autor do livro Mastering Bitcoin, diz: “As características mais interessantes do blockchain são as de Bitcoin; elas vêm da natureza aberta e descentralizada da moeda. Blockchain sem uma moeda nativa pode ser feito, mas não fornece benefícios. Você pode mudar um blockchain privado se tiver mais poder de processamento do que o proprietário dele – isso não existe com o Bitcoin”, diz Antonopoulos. “Outras aplicações vêm muito mais tarde e apenas em cima da moeda”, completa.

Os desafios 

De acordo com Raphael Davison, diretor mundial de blockchain para Hewlett Packard Enterprise (HPE), não é difícil vender aplicações empresariais da tecnologia para profissionais da área. A dificuldade surge quando esses profissionais levam a ideia para colegas e superiores que podem não entender a diferença entre o blockchain e o de uso de Bitcoin, que teve uma parcela justa nas histórias de violação de segurança.

A separação do Bitcoin em duas moedas relacionadas, possivelmente tornou a questão mais desafiadora, de acordo com o tecnólogo e escritor David Strom. “O que não se pode ter é o pensamento de que se Bitcoin é imprevisível, e o blockchain é o fundamento do Bitcoin, então o blockchain também é”, ressalta Strom. Além disso, há uma falta de compreensão a respeito dos hackers de criptomoedas, que não atacam a tecnologia em torno da moeda, mas sim o código nas “carteiras” que a armazena.

Como usar blockchain

O primeiro uso de blockchain nas empresas foi na área de serviços financeiros. A Goldman Sachs Equity estimou que o blockchain poderia economizar US$ 2 bilhões nos Estados Unidos e US$ 6 bilhões no mundo, simplesmente por melhorar a eficiência das transações. De acordo com Sandeep Panda, líder da estratégia global da HPE para blockchain, outro grande uso da tecnologia provavelmente será o gerenciamento de identidade.

“A primeira geração da tecnologia foi a criptomoeda – o que é muito disruptivo”, diz Panda. “A segunda geração diz respeito a forma como podemos implementar o que já comprovamos em um contexto privado e obter uma série de benefícios. Mas a terceira geração vai levar o blockchain a um contexto executivo”.

Ele acrescenta: “O Google reconhece você de forma diferente do Facebook, de seu banco ou de um site do governo. Com o gerenciamento de identidade, será possível efetuar a comunicação entre várias partes independentemente da aplicação”. Em três anos, Panda imagina que estaremos falando sobre bloqueio e gerenciamento de identidade no mesmo contexto em que hoje falamos sobre blockchain e Bitcoin.

Lições para os CIOs

  • Blockchain é a tecnologia e o Bitcoin é uma aplicação;
  • Trata-se de uma cadeia de valores, geralmente usado para implementar um banco de dados compartilhado e seguro com registro de horário;
  • Para adotá-lo é preciso compreender os problemas da empresa e questionar-se se o blockchain pode aliviá-los. Por mais excitante que seja a tecnologia, sem um negócio claro, será difícil implementá-la;
  • Embora não seja infalível, a tecnologia é intrinsecamente resistente ao ataque de hackers. 

*Curt Hopkins é repórter de tecnologia, segurança e negócios.

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