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Robótica

Inteligência artificial na robótica revolucionará automação, diz pesquisadora

De acordo com Claudia D’Arpino, robôs inteligentes, que poderão aprender rapidamente novas tarefas, trabalharão de forma colaborativa com os humanos

O uso de robôs tem crescido a cada dia e chamado a atenção das empresas. Claudia D’Arpino, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, estuda atividades envolvendo robótica – especialmente, humanos trabalhando em conjunto com robôs em fábricas e outros lugares. A pesquisadora está desenvolvendo, junto a outros colegas, um sistema de aprendizado de máquina chamado C-Learn, que visa permitir que não-programadores treinem robôs para executar tarefas nas fábricas. Em entrevista para a HPE, a pesquisadora contou sobre como seu projeto pode afetar a indústria.

Quais são as limitações e os obstáculos da robótica nas fábricas?

Claudia D’Arpino: A principal é a relação entre humanos e robôs. A fabricação é a aplicação mais bem-sucedida da robótica, mas os robôs trabalham sozinhos, completamente isolados dos seres humanos. No caso de automóveis, por exemplo, as tarefas são feitas 100% por robôs ou 100% por humanos. Hoje, há uma onda de seres humanos e robôs trabalhando juntos, o que implica em compartilhamento de  espaço. Precisamos habilitar os robôs com um novo conjunto de recursos, e isso envolve detecção, controle e previsão. Estamos trabalhando com técnicas de Inteligência Artificial (IA), que permitem a interação com os seres humanos de forma a garantir que o robô seja eficiente, seguro, e complete suas próprias tarefas. Na produção, cada segundo é importante.

Uma vez que o robô aprende uma tarefa, pode transferi-la para outro robô?

Claudia D’Arpino: Sim. Você só precisa transferir uma lista de restrições de um robô para outro, e então, o algoritmo será capaz de replicar a tarefa. Anteriormente, não possuíamos um método que não exigisse demonstrações adicionais ou uma codificação humana.

As tarefas transmitidas precisam ser as mesmas?

Claudia D’Arpino: Ela precisa ter a mesma ordem de etapas. Por exemplo: soldar um parafuso em um carro. O outro robô também precisa soldar aquele parafuso, mas o carro pode estar em diferentes posições ou orientações. O tamanho do objeto e a posição não precisam ser os mesmos.

Quais são as vantagens dessa tecnologia?

Claudia D’Arpino: Ela traz a capacidade de projetar tarefas muito rapidamente para produtos de vários tipos. Hoje, se leva um mês para programar um robô para fazer uma tarefa. Também será útil para os trabalhadores, que poderão ensinar os robôs sem conhecimento de programação. Além disso, ao transferir as tarefas, os robôs não farão tudo de forma autônoma, mas sim em colaboração com o humano. Não há no mercado métodos para que isso funcione de forma eficiente.

Isso torna os trabalhadores humanos menos necessários para as operações de fabricação?

Claudia D’Arpino: Para algumas tarefas, é inevitável que os robôs possam fazer tudo. Para outras, no entanto, eles são mecanicamente incapazes de completá-las. Se temos um projeto no qual você precisa instalar um medidor no painel de bordo de um carro, por exemplo, o humano tem duas mãos, agarra o dispositivo e consegue inseri-lo em um espaço muito restrito. Não há nenhum robô que possa fazer a mesma tarefa.

Quando você acha que a tecnologia será comercializada?

Claudia D’Arpino:. Comercializar o produto não se trata apenas do funcionamento do seu sistema; também exige uma ampla regulamentação. Especialmente para a segurança dos trabalhadores. Não aposto em nada menos de uma década. No entanto, estou no lado conservador. Outras pessoas acham que levará muito menos tempo.

Quando fala com especialistas na indústria que projetam robôs ou operações de fábrica de engenheiros, qual é a reação deles?

Claudia D’Arpino: Algumas pessoas estão empolgadas e outras com medo. Muitos pensam que os robôs podem fazer tudo e têm o mesmo nível de processamento cognitivo que temos, substituindo toda tarefa humana. E isso não é verdade. É uma questão de informação. Precisamos ajudar as pessoas a entender que os robôs e a tecnologia em geral podem ser úteis, mas existem limitações.

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Imagem: Depositphotos

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